VALPOLICELLA, VERONA, VÊNETO: VINHOS

AQUI À ESQUERDA TEMOS A PIRÂMIDE QUALITATIVA DOS VINHOS ITALIANOS. A PARTIR DA BASE TEMOS OS VINHOS DE MESA, TEORICAMENTE OS MAIS SIMPLES, TEORICAMENTE PELA RAZÃO DE QUE EM QUALQUER PARTE DO TERRITÓRIO DA "BOTA" PODE-SE ENCONTRAR VINHOS DE MESA DE ALGUMA QUALIDADE. A COMEÇAR PELOS IGT (INDICAÇÃO GEOGRÁFICA TÍPICA), PASSANDO PELOS "DOC" (DENOMINAÇÃO DE ORIGEM CONTROLADA), ATÉ OS "DOCG" (DENOMINAÇÃO DE ORIGEM CONTROLADA E GARANTIDA), OS VINHOS PARA QUE POSSAM OSTENTAR EM SEUS RÓTULOS ESSAS SIGLAS DEVEM RESPEITAR OS "DISCIPLINARES" DE SUAS RESPECTIVAS REGIÕES, QUE SÃO CONJUNTOS DE REGRAS PARA A CONSECUÇÃO DE VINHOS DE CADA FAIXA AÍ MENCIONADA. ESSAS REGRAS TAMBÉM NÃO DEVEM SER LEVADAS MUITO A SÉRIO, SE LEMBRARMOS QUE OS GRANDES "SUPER TOSCANOS", CLASSIFICADOS ENTRE OS MAIS AFAMADOS E CAROS VINHOS DA ITÁLIA, LEVAM A SIGLA "IGT" E NÃO "DOCG" COMO SERIA O CASO, POR NÃO SEGUIREM AS REGRAS DO "DISCIPINARE" DA REGIÃO TOSCANA.
VALPOLICELLA: EM PRINCÍPIO, OS VINHOS NA REGIÃO DA VALPOLICELLA SÃO PRODUZIDOS ESSENCIALMENTE COM UM QUARTETO DE UVAS: CORVINA, MOLINARA, RONDINELLA E CORVINONE. A CORVINA, A MAIS IMPORTANTE, SEMPRE ENTRA COM UMA PORCENTAGEM MAIOR NA COMPOSIÇÃO DOS VINHOS DA REGIÃO, QUE VAI DOS 30 AOS 95%, PODENDO SER SUBSTITUÍDA EM ATÉ 50% PELA CORVINONE; AS MOLINARA E RONDINELLA ENTRAM EM PORCENTAGENS MENORES, PODENDO SER SUBSTITUÍDAS POR OUTRAS CASTAS ADMITIDAS NOS "DISCIPLINARES" VALPOLICELLA QUE, "A PRIORI", NOS FAZEM CRER FÁCIL A COMPOSIÇÃO DOS SEUS VINHOS E, LOGICAMENTE, DE FÁCIL MEMORIZAÇÃO. COMO OS ENÓLOGOS DA REGIÃO TÊM À MÃOS OUTRAS UVAS PERMITIDAS, COMO AS ROSIGNELLA, DINDARELA, FORSELINA, OSELETA, NEGRARA, SANGIOVESE, BARBERA, CABERNET SAUVIGNON, MELHOR TER EM MENTE O QUARTETO ESPECIFICADO ACIMA COMO ESTRUTURA BÁSICA DOS VINHOS DESSA REGIÃO.
CORVINA OU CRUÍNA MOLINARA RONDINELLA
UVA CORVINONE
HISTÓRIA:- FOI NUM DECRETO DO ANO DE 1.117, ASSINADO POR FEDERICO BARBA
ROSSA QUE APARECE PELA PRIMEIRA VEZ O TERMO "VAL POLESELA", TERMO ESSE CUJA ORIGEM ETIMOLÓGICA SE DISCUTE ATÉ OS DIAS DE HOJE, A TODO O MOMENTO, SEM QUE ALGUÉM POSSA SE FIRMAR COMO POSSEIRO DA VERDADE ABSOLUTA. TRÊS SÃO AS VERSÕES QUE ENTRAM SEMPRE EM DISCUSSÃO: A) - TERIA VINDO DO GREGO "POLYZELOS" QUE SIGNIFICA "MUITO ABENÇOADO", E ASSIM, POR EXTENSÃO, "REGIÃO MUITO ABENÇOADA"; B) - TERIA VINDO DO LATIM "PULCELLA", QUE NOS REMETE À HISTÓRIA DE UMA CAMPEZINA BEATA QUE PROTEGIA A REGIÃO, PRESENTE INCLUSIVE NO BRASÃO DA CIDADE DE S.PIETRO IN CARIANO, UMA DAS PRINCIPAIS CIDADES PRODUTORAS DA REGIÃO; C) - ENQUANTO PERSISTEM AS DÚVIDAS EM RELAÇÃO ÀS DUAS PRIMEIRAS OPÇÕES, A VERSÃO QUE MAIS SE APROXIMA DA REALIDADE E QUE PRIVILEGIA O LABOR PRODUTIVO DA REGIÃO, É O TERMO LATINO "VAL-POLI-CELLAE", CUJA TRADUÇÃO PARA O ITALIANO FICA "VALLE DALLE MOLTE CANTINE" - VALE DAS MUITAS VINÍCOLAS - DO LATIM "CELLAE" (CELLA - CANTINA EM ITALIANO) E (VINÍCOLA EM PORTUGUÊS).

CIDADE DE S.PIETRO IN CARIANO, UMA DAS PRINCIPAIS COMARCAS DA REGIÃO DEMARCADA DA VALPOLICELLA.
GEOGRAFIA:- A REGIÃO ONDE SE LOCALIZA A VALPOLICELLA É UMA DAS MAIS BONITAS QUE EU CONHEÇO DA ITÁLIA. A NATUREZA FOI MUITO PRÓDIGA COM ESSA PARTE DO PAÍS, MISTURANDO MONTANHAS, PLANÍCIES E LAGOS, PARA DELEITE DOS SEUS HABITANTES. O MONTE LESSINI COM 1.800 METROS DE ALTURA E COBERTO DE NEVE NO INVERNO, AS PLANICIES VERDES E ENFEITADAS POR VINHEDOS SEM FIM E, COMPLEMENTANDO, O LAGO DE GARDA, O MAIOR DA ITÁLIA, COM 370 QUILÔMETROS QUADRADOS, 5 ILHAS, ATRAÇÃO MAIOR DE 2 PROVÍNCIAS ALÉM DA VERONESE, AS TRENTINA E BRESCIANA, ATRAÇÃO QUE RECEBE MILHÕES DE TURISTAS TODOS OS ANOS



O RIO ÁDIGE:- O RIO DA REGIÃO É O ÁDIGE, SEGUNDO RIO ITALIANO EM COMPRIMENTO COM 41O QUILÔMETROS DE EXTENSÃO, DEPOIS DO RIO PÓ, E 4º EM VOLUME D'AGUA, ATRÁS DO PÓ, TICINO E TEVERE. NASCE NO VALE DI RESIA A 1.504 METROS DE ALTITUDE, NUMA LOCALIDADE CONHECIDA COMO TRÊS FRONTEIRAS, LIGANDO ITÁLIA, AUSTRIA E SUIÇA. PASSA NO CENTRO DE VERONA QUE É A CAPITAL DA PROVÍNCIA DO MESMO NOME, 12ª MAIOR CIDADE ITALIANA EM NÚMERO DE DE HABITANTES, COM ALGO EM TORNO DE 265.000 PESSOAS PELO ÚLTIMO SENSO REALIZADO.


O RIO ÁDIGE EM TRÊS MOMENTOS: A ESQUERDA, PERTO DA NASCENTE, CIDADE DE BOLZANO, NA REGIÃO DE TRENTO; À DIREITA A FOZ NO MAR ADRIÁTICO, PERTO DA CIDADE DE CHIOGGIA; EM BAIXO, A PASSAGEM PELA CIDADE DE VERONA, NOTANDO-SE NO ALTO À ESQUERDA O ANFITEATRO ROMANO, OBRA DE 2.000 ANOS PRATICAMENTE INTÁTICA ONDE SE REALIZAM GRANDES ESPETÁCULOS DE MÚSICA E TEATRO.

BARDOLINO: BARDOLINO É UMA "DOC" DA REGIÃO VALPOLICELLA QUE RECEBE SEU NOME DA CIDADE HOMÔNIMA, SITUADA ÀS MARGENS DO LAGO DI GARDA. NA SUA CONFECÇÃO SE UTILIZA A MESMA ESTRUTURA DE CEPAS DA REGIÃO, COM PEQUENAS DIFERENÇAS DE PORCENTAGEM DAS UVAS UTILIZADAS, EM RELAÇÃO ÀS PORCENTAGEM UTILIZADAS NA CONFECÇÃO DO VALPOLICELLA. DESSA FORMA A CONSTITUIÇÃO BÁSICA DO BARDOLINO É ESTIPULADA COM A CORVINA/CRUÍNA NUMA VARIAÇÃO DE 35/80%, QUE PODE SER SUBSTITUÍDA PELA UVA CORVINONE ATÉ O LIMITE DE 50%; RONDINELLA NUMA PORCENTAGEM ENTRE 10/40%, E MOLINARA NUM LIMITE DE PODE CHEGAR A 15%. OUTRAS UVAS AUTORIZADAS PODEM SER UTILIZADAS ATÉ O LIMITE MÁXIMO DE 20%, PORÉM COM UM LIMITE DE 10% POR CEPA. AUTORIZADA. O FATO QUE DEIXA MAIS COMPLICADA UMA DEFINIÇÃO MAIS PRECISA, COMO JÁ FOI MENCIONADO ACIMA, É QUE ALÉM DAS VARIANTES COLOCADAS, CADA VINÍCOLA "CANTINA" PODE RECORRER A OUTRAS ALTERNATIVAS, DESDE QUE AS UVAS UTILIZADAS SEJAM ADMITIDAS NO "DISCIPLINARE" DA REGIÃO.


RECIOTO DELLA VALPOLICELLA: O VINHO "RECIOTO DELLA VALPOLICELLLA" É UM VINHO "PASSITO", DOCE, MILENAR, QUE RECEBE SEU NOME DO TERMO "RECIA", QUE NO ITALIANO ARCÁICO SIGNIFICA ORELHA. O QUE É UM VINHO "PASSITO"?? É O VINHO VINIFICADO COM AS UVAS DEIXADAS EM ESTEIRAS POR UM PERÍODO QUE VARIA DE 100 A 120 DIAS, PARA QUE SEJAM SECADAS EM AMBIENTE AREJADO, E PARA QUE COM ESSA SECAGEM HAJA UMA CONCENTRAÇÃO MAIOR DE AÇÚCAR. QUANDO FRESCAS ESSAS UVAS DEVEM GARANTIR UM VOLUME ALCÓLICO DE 11%; APÓS A SECAGEM ESSA GARANTIA DEVE SUBIR PARA 14%. A FERMENTAÇÃO DO RECIOTO É INTERROMPIDA QUANDO AINDA HÁ UMA GRANDE CONCENTRAÇÃO DE AÇÚCAR, NÍVEL QUE FICA ENTRE 80/100 GRAMAS/LITRO. PRONTO O RECIOTO DEVE APRESENTAR UM NÍVEL ALCOÓLICO MINÍMO DE 12° (DOZE GRAUS)


NO SISTEMA HORIZONTAL SÃO FEITAS "CAMAS" CONFECCIONADAS COM HASTES DE BAMBU. ESSE TRABALHO É MINUCIOSO, ONDE OS CACHOS NÃO SÃO SOBREPOSTO E OS BAGOS COM QUALQUER TIPO DE DEFEITO SÃO ELIMINADOS. ESSAS UVAS "APASSICADAS" SÃO UTILIZADAS TANTO PARA O AMARONE QUANTO PARA O RECIOTO. NA FOTO EM BAIXO, AS UVAS JÁ "APASSICADAS". FINAL DO PROCESSO.
AMARONE DELLA VALPOLICELLA: O PROCEDIMENTO PARA A CONFECÇÃO DO VINHO AMARONE, O IRMÃO MAIS NOVO DO RECIOTO, SEU APARECIMENTO ACONTECEU JÁ NO SÉCULO XX, SEGUE O MESMO RITUAL OBSERVADO NA PRODUÇÃO DO IRMÃO MAIS VELHO, COM A DIFERENÇA BÁSICA QUE NESTE CASO A FERMENTAÇÃO NÃO É INTERROMPIDA, INDO ATÉ O EXAURIMENTO TOTAL DOS ACÚCARES CONTIDOS NAS UVAS "APASSICADAS", COM UMA TOLERÂNCIA RESIDUAL QUE PODE ULTRAPASSAR 3% (TRÊS POR CENTO). O AMARONE BÁSICO DEVE RESPEITAR UM PERÍODO DE 2 ANOS DE ENVELHECIMENTO EM BARRICA ANTES DE SER ENGARRAFADO, ENQUANTO QUE NOS "RISERVA" ESSE PERÍODO DEVE SER ESTENDIDO PARA UM MÍNIMO DE 4 ANOS, A PARTIR DE 1º DE NOVEMBRO DO ANO DA COLHEITA. CONHECIDO COMO VERSÃO SECA DO RECIOTO, DEVE SEU NOME A PERDA DO TEOR AÇUCARADO DO RECIOTO, NÃO TENDO, PORÉM, NENHUMA CONOTAÇÃO COM SEU NOME, POIS NÃO TEM NADA DE AMARGO. VINHO ENCORPADO, DE ELEVADO TEOR ALCOÓLICO, QUE PARTE DOS 14° PODENDO CHEGAR ATÉ OS 17° GRAUS.
R I P A S S O:- O QUE É RIPASSO??? RIPASSO É UM SISTEMA DE VINIFICAÇÃO UTILIZADO NA REGIÃO DE VALPOLICELLA, ÚNICO EM TODO O MUNDO. NA COLHEITA, AS MELHORES UVAS SÃO SEPARADAS PARA O SISTEMA DE SECAGEM "APASSIMENTO", DESTINADAS A CONFECÇÃO DO VINHOS "RECIOTO" E "AMARONE", VINIFICAÇÃO QUE SE COMPLETA EM FINS DE JANEIRO/MEIO DO MÊS DE FEVEREIRO. TERMINADA A FERMENTAÇÃO, O VINHO AMARONE É RETIRADO PARA AFINAMENTO EM "BOTAS" - BARRICAS DE CARVALHO-, RESTANDO O FUNDO, A BORRA, "VINACCIA" EM ITALIANO, "LIES" EM FRANCÊS, ONDE SE COLOCAM OS VINHOS JÁ PRONTOS "VALPOLICELLA", A FIM DE GANHAREM UMA ESTRUTURA MELHOR COM ESSA "CARONA" NO RESTOLHO DAS UVAS PASSAS DO "AMARONE". NOS ÚLTIMOS TEMPOS ALGUNS ENÓLOGOS NA TENTATIVA DE EVOLUIR O PROCESSO DO "RIPASSO", PASSARAM A USAR UM SISTEMA "MEIO-A-MEIO" ONDE, AO INVÉS DE COLOCAREM O VALPOLICELLA PRONTO EM CIMA DAS BORRAS DOS RECIOTO/AMARONE, ELES DEPOSITAM O VINHO JÁ FERMENTADO SOBRE UVAS PREVIAMENTE APASSICADAS E PRENSADAS, DETONANDO DESSA FORMA UMA SEGUNDA FERMENTAÇÃO. O VINHO OBTIDO POR ESSE PROCESSO, DO PONTO DE VISTA QUALITATIVO, FICA A MEIO TERMO ENTRE O "VALPOLICELLA SUPERIORE" E O "AMARONE"

VINACCIA: NESTAS DUAS FOTOS TEMOS A BORRA DO VINHO, QUE É UTILIZADA NA PRODUÇÃO DO VINHO "RIPASSO". O VINHO VALDOLICELLA PRONTO É COLOCÁ-LO SOBRE A BORRA, PARA DAR-LHE MAIOR ESTRUTURA, MAIOR QUALIDADE. EM ITALIANO O TERMO É "VINACCIA", EM FRANCÊS "LIES".
FECHAMENTO DAS GARRAFAS:- EM TODOS OS VINHOS PRODUZIDOS NA REGIÃO DE VALPOLICELLA O FECHAMENTO DEVE SER FEITO COM ROLHAS DE CORTIÇA, PERMITINDO-SE, PORÉM, NAS GARRAFAS ATÉ 0,375 MLS, O FECHAMENTO NO SISTEMA DE "SCREW TOP WINE BOTTLES" - GARRAFAS DE VINHO COM TAMPA DE ROSCA -
AS FOTOS MOSTRAM O SISTEMA DE GARRAFA "SCREW TOP WINE BOTTLE" E A CÁPSULA "SCREW CAP"
GARGALO DE UMA GARRA DE VINHO NO
SISTEMA "SCREW TOP WINE BOTTLES"
MUITO UTILIZADAS NAS VIAGENS AÉREAS.
BRAZ CUBAS
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